Mitos e verdades sobre a amamentação: o que realmente funciona além da pega

 

Mãe amamentando o bebê no colo enquanto familiares estão ao redor observando e dando apoio.


Quando o bebê nasce, a mãe costuma ouvir uma enxurrada de conselhos bem-intencionados, mas que muitas vezes carregam mitos antigos. Embora saber posicionar o bebê no peito seja o primeiro passo importante, o sucesso e a leveza na amamentação dependem de muitos outros fatores do dia a dia.

Para acabar com a ansiedade e tirar a culpa das costas das mães, reunimos os principais mitos e verdades sobre a rotina da amamentação que pouca gente te conta!


Mitos e verdades desvendados

1. "A mãe precisa comer por dois ou evitar certos alimentos" — MITO!

A menos que o bebê tenha uma suspeita médica diagnosticada (como a alergia à proteína do leite de vaca - APLV), a mãe não precisa fazer dietas restritivas ou parar de comer feijão, repolho e condimentos por medo de passar gases para o leite. O leite materno é produzido a partir da sua corrente sanguínea, e não diretamente do seu estômago. O segredo é ter uma alimentação saudável, equilibrada e sem neuras.

2. "Puxar o bico do peito na gravidez ou usar bucha ajuda a preparar o peito" — MITO!

Esfregar buchas vegetais ou tentar "formar bico" na gestação não ajuda em nada e ainda pode machucar a pele sensível da aréola, além de causar contrações uterinas antes do tempo. Quem se prepara para a amamentação não é a pele do peito, mas sim a aréola através das glândulas hormonais naturais do seu corpo.

3. "Oferecer chupeta ou mamadeira nos primeiros dias pode atrapalhar a amamentação" — VERDADE!

Existe o chamado "fenômeno da confusão de bicos e de fluxo". O movimento muscular que o bebê faz para mamar na mamadeira ou no bico de silicone é completamente diferente do movimento para extrair o leite do peito humano. Além disso, a mamadeira entrega o leite rápido demais sem esforço, o que pode fazer o bebê rejeitar o peito da mãe depois.

4. "Peito macio é sinal de que o leite está acabando" — MITO!

Nas primeiras semanas, é comum a mama ficar super cheia e dura por conta da apojadura (a descida do leite). Porém, conforme o tempo passa, o corpo ajusta a produção exatamente para o tamanho do estômago do bebê. O peito fica mais macio porque deixou de acumular excessos e passou a produzir leite em tempo real, enquanto o bebê mama. Peito macio é sinal de fábrica eficiente!

5. "O estresse da mãe pode bloquear a saída do leite" — VERDADE!

O estresse e o cansaço extremo liberam adrenalina, um hormônio que bloqueia temporariamente a ação da ocitocina — o hormônio responsável por "empurrar" o leite para fora do peito. O leite continua lá dentro, mas tem dificuldade de sair. Por isso, o descanso e o apoio emocional da família são peças fundamentais na produção.

Bebê recém-nascido dormindo em um cesto de palha com uma chupeta na boca.


O que realmente funciona na prática?

  • Esqueça o relógio: A amamentação funciona por livre demanda. Em vez de contar de 3 em 3 horas, observe os sinais de prontidão do bebê (mãozinhas na boca, inquietação, buscar o peito ao ser colado no colo).

  • Hidratação constante: A água é a maior aliada da produção. Deixe sempre uma garrafinha de água no local onde você costuma sentar para amamentar.

  • Rede de apoio de verdade: Quem amamenta precisa ser cuidada. Deixe que o parceiro ou familiares cuidem da casa, das roupas e da alimentação para você focar no bebê.


Mantenha a calma e busque ajuda de qualidade

A amamentação é um processo de aprendizado mútuo entre a mãe e o bebê. Se surgir qualquer dúvida ou dificuldade que fuja do esperado, procure a orientação do pediatra ou de uma consultora de amamentação.


Fontes / Referências :

1. Ministério da SaúdeSaúde da Criança: Aleitamento Materno e Alimentação

 Complementar.

2. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)Manual do Aleitamento

Materno.



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