Cólicas e gases no recém-nascido: como aliviar sem desespero
Poucas coisas cortam mais o coração dos pais do que ver o bebê chorando de dor, encolhendo as perninhas e ficando vermelhinho por causa de cólicas ou gases. Nessas horas, a sensação de impotência é enorme e a tentação de testar qualquer simpatia ou remédio que indicam na internet é gigante.
A boa notícia? Na enorme maioria das vezes, as cólicas não indicam nenhum problema grave de saúde. Elas fazem parte do amadurecimento do corpo do seu bebê.
Vamos entender o que realmente acontece na barriguinha dele e ver técnicas simples que funcionam de verdade para aliviar esse desconforto?
Por que o bebê tem tanta cólica e gás?
O sistema digestivo do recém-nascido é literalmente "zero km". Ele passou nove meses recebendo nutrientes direto pelo cordão umbilical e, de repente, precisa aprender a digerir o leite, mover o intestino e lidar com bolhas de ar.
Algumas causas principais incluem:
Imaturidade do intestino: Os músculos do intestino ainda não sabem se contrair e relaxar em ritmo perfeito, o que gera espasmos (as famosas cólicas).
Engolir ar durante as mamadas: Se o bebê engole ar enquanto mama ou chora muito, esse ar vira bolhas de gás na barriga.
Gases presos no cólon: O bebê ainda não sabe relaxar o esfíncter e empurrar o cocô/gás ao mesmo tempo. Às vezes ele chora não de dor, mas pela força que faz para soltar o gás.
Sinais claros de que é cólica (e não outra coisa)
A regra mais famosa na pediatria para identificar a cólica é a "regra dos três": choro intenso que dura pelo menos 3 horas por dia, ocorre em pelo menos 3 dias por semana e persiste por mais de 3 semanas (geralmente começando por volta da 2ª ou 3ª semana de vida).
Fique atenta a estes sinais característicos:
O choro costuma dar as caras no final da tarde ou comecinho da noite.
O bebê encolhe as perninhas em direção à barriga e depois as estica bruscamente.
O rosto fica bem vermelho e as mãozinhas se fecham em punho.
A barriguinha fica levemente endurecida ou estufada.
Técnicas práticas para aliviar a barriguinha no momento da crise
Quando o choro começar, mantenha a calma (o bebê sente a nossa ansiedade) e tente estas estratégias comprovadas:
1. Calor suave na barriga
O calor ajuda a relaxar a musculatura abdominal. Você pode usar o calor do seu próprio corpo (colocando o bebê pele a pele no seu peito) ou usar uma bolsa térmica morninha (sempre testando a temperatura na sua pele antes para não queimar o bebê).
2. Massagem do "Eu Te Amo" e "Bicicleta"
Deite o bebê de costas num momento de calma e faça massagens suaves na barriguinha, sempre no sentido horário (o mesmo caminho que o intestino faz). Fazer o movimento de "pedalar" com as perninhas dele em direção ao abdômen também ajuda muito a soltar os gases presos.
3. Posição do "Bicho-Preguiça" (Colo de bruços)
Apoie o bebê de bruços ao longo do seu antebraço, com a cabeça apoiada perto do seu cotovelo e a mão entre as perninhas dele. Essa leve pressão na barriga costuma acalmar quase instantaneamente.
4. O ritual do arroto
Sempre coloque o bebê para arrotar após as mamadas, mesmo que ele demore um pouco. Se ele dormir no peito, mantenha-o ereto no seu colo por cerca de 10 a 15 minutos antes de deitá-lo.
Mitos e verdades sobre a cólica
"A alimentação da mãe causa cólica no bebê": Mito! O leite materno é produzido a partir do sangue da mãe, não do conteúdo do estômago. Cortar alimentos da sua dieta por conta própria sem orientação profissional só vai te deixar exausta e desnutrida.
"Chorá-lo vai fazer mal para o umbigo": Mito! O choro não estraga a cicatrização do umbigo nem causa hérnia.
"Remédios para gases resolvem o problema": Nem sempre. Eles ajudam a juntar as bolhas de gás pequenas em maiores para facilitar a saída, mas não impedem a imaturidade do intestino. Use apenas com indicação do pediatra.
Quando procurar o pediatra?
Embora seja um processo natural, consulte o médico se notar:
Febre ou vômitos em jato.
Sangue nas fezes ou fezes muito líquidas e frequentes.
O bebê recusar totalmente as mamadas ou parecer apático e prostrado.
Vai passar, promessa!
O pico das cólicas costuma acontecer entre a 4ª e a 6ª semana de vida e melhora significativamente por volta do 3º mês, quando o intestino finalmente ganha maturidade. Até lá, respira fundo, reveze o colo com o parceiro ou rede de apoio quando se sentir sobrecarregada e lembre-se: é apenas uma fase temporária!
Como você tem lidado com os gases por aí? Tem alguma massagem ou simpatia da vovó que funcionou na sua casa? Conta nos comentários!
Referências
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – Guia Prático sobre Cólicas do Recém-Nascido.
American Academy of Pediatrics (AAP) – Colic and Infant Digestive System Development.


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