Cólicas e gases no recém-nascido: como aliviar sem desespero
Poucas coisas deixam os pais mais aflitos do que ver o bebê chorando intensamente, encolhendo as perninhas e ficando vermelhinho sem saber exatamente o que está acontecendo. Nessas horas, a vontade de encontrar uma solução rápida é enorme — e é justamente quando aparecem receitas caseiras, simpatias e medicamentos indicados por todo mundo.
Na maioria das vezes, a cólica do lactente não está relacionada a uma doença grave e tende a melhorar conforme o bebê cresce. Mesmo assim, nem todo choro é cólica, e observar o comportamento do bebê e outros sintomas é importante.
E os gases? Eles também são muito comuns nos primeiros meses, mas nem sempre são os responsáveis pelo choro.
Neste artigo, vamos entender melhor o que pode estar por trás desse desconforto, quais cuidados podem ajudar em casa e quais sinais indicam que é hora de procurar o pediatra.
Por que o bebê pode ter cólicas e gases?
A causa exata da cólica do lactente ainda não é totalmente conhecida. Hoje, acredita-se que diferentes fatores possam estar envolvidos, incluindo o desenvolvimento do sistema digestivo e nervoso, a movimentação do intestino e características da microbiota intestinal.
Os gases, por outro lado, podem aparecer quando o bebê engole ar durante a mamada ou enquanto chora. Como ele ainda está aprendendo a coordenar os movimentos necessários para eliminar gases e evacuar, é comum fazer força, ficar vermelho e parecer desconfortável.
Existe ainda uma condição chamada disquesia do lactente, em que o bebê faz força e chora antes de conseguir evacuar fezes que continuam macias. Isso acontece pela dificuldade temporária de coordenar a pressão abdominal com o relaxamento da musculatura necessária para evacuar e tende a melhorar com o desenvolvimento.
Por isso, cólica, gases e dificuldade para evacuar podem parecer muito semelhantes para quem está cuidando do bebê, mas não são necessariamente a mesma coisa.
Como costuma ser a cólica do bebê?
A cólica costuma aparecer nas primeiras semanas de vida e provocar períodos de choro intenso que podem ser difíceis de acalmar. Muitas vezes, esses episódios acontecem no final da tarde ou à noite.
Durante a crise, o bebê pode ficar com o rosto avermelhado, fechar as mãos, encolher ou esticar as pernas e parecer bastante irritado. Entre os episódios, porém, geralmente volta ao seu comportamento habitual.
Durante muito tempo, ficou conhecida a chamada “regra dos três”: choro por mais de três horas por dia, em pelo menos três dias da semana, durante três semanas. Hoje, essa regra não precisa ser cumprida exatamente para que o pediatra considere a possibilidade de cólica.
O mais importante é observar o bebê como um todo. Quando o choro é muito diferente do habitual ou aparece acompanhado de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica em vez de presumir que seja apenas cólica.
Durante a crise, o bebê pode ficar com o rosto avermelhado, fechar as mãos, encolher ou esticar as pernas e parecer bastante irritado. Entre os episódios, porém, geralmente volta ao seu comportamento habitual.
Durante muito tempo, ficou conhecida a chamada “regra dos três”: choro por mais de três horas por dia, em pelo menos três dias da semana, durante três semanas. Hoje, essa regra não precisa ser cumprida exatamente para que o pediatra considere a possibilidade de cólica.
O mais importante é observar o bebê como um todo. Quando o choro é muito diferente do habitual ou aparece acompanhado de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica em vez de presumir que seja apenas cólica.
O que pode ajudar durante uma crise?
Nem sempre existe uma técnica capaz de interromper a cólica imediatamente. O objetivo é oferecer conforto ao bebê e observar quais cuidados parecem ajudá-lo a ficar mais tranquilo.
1. Colo e contato
Segurar o bebê no colo, embalá-lo suavemente e oferecer contato pele a pele podem ajudar a acalmá-lo durante os períodos de choro.
O contato próximo também permite observar melhor o bebê e perceber se existe algum outro motivo para o desconforto, como fome, fralda suja, calor ou frio.
2. Massagem suave e movimento das perninhas
Em um momento em que o bebê esteja tranquilo, uma massagem delicada na barriga pode proporcionar conforto. Faça movimentos suaves, sem pressionar o abdômen.
Outra opção é movimentar devagar as perninhas do bebê, como se ele estivesse pedalando uma bicicleta. Alguns bebês parecem ficar mais confortáveis com esse movimento.
Se o bebê demonstrar incômodo, dor ou ficar mais irritado durante a massagem, interrompa.
3. Colo de bruços, com supervisão
Segurar o bebê de bruços sobre o antebraço ou apoiado sobre o corpo do adulto pode ser confortável para alguns bebês durante os períodos de choro.
Mantenha sempre a cabeça e o pescoço bem apoiados e observe se o rosto está livre, sem nada dificultando a respiração.
Essa posição deve ser usada somente enquanto o bebê estiver acordado e supervisionado. Para dormir, o bebê deve ser colocado de barriga para cima, em uma superfície firme, plana e própria para o sono.
4. Ajude o bebê a arrotar quando necessário
Durante a mamada, alguns bebês engolem mais ar do que outros. Se o bebê parecer desconfortável, fizer pausas frequentes ou ficar inquieto, pode ser útil colocá-lo em uma posição mais ereta por alguns minutos e tentar ajudá-lo a arrotar.
Nem todo bebê arrota depois de todas as mamadas, e isso não significa necessariamente que exista algum problema.
Se você perceber que ele engole muito ar com frequência durante a alimentação, vale observar também a pega na amamentação ou conversar com o pediatra sobre a forma como o bebê está mamando.
5. Banho Morno
Um banho morno pode ajudar alguns bebês a relaxar durante um período de irritação ou desconforto.
Verifique sempre a temperatura da água antes de colocar o bebê e mantenha-o bem apoiado e supervisionado durante todo o banho.
Se o bebê não gostar ou ficar ainda mais irritado, não é necessário insistir. Cada bebê responde de uma maneira.
Mitos e verdades sobre as cólicas
Quando o bebê chora muito, é comum surgirem conselhos sobre alimentação, medicamentos e até receitas caseiras. Nem todos, porém, têm comprovação ou são adequados para um recém-nascido.
- “A alimentação da mãe sempre causa cólica no bebê.” Não é assim. Na maioria das vezes, não há necessidade de retirar alimentos da dieta materna por causa das cólicas. Restrições alimentares sem orientação podem tornar a alimentação da mãe desnecessariamente limitada. Em situações específicas, o pediatra pode investigar se existe alguma relação entre determinados alimentos e os sintomas do bebê".
- “Chorar faz mal para o umbigo ou causa hérnia.” O choro não é considerado a causa da hérnia umbilical. A hérnia acontece quando a abertura por onde passava o cordão umbilical não se fecha completamente após o nascimento.
- “Remédio para gases resolve a cólica.” Nem sempre. Gases e cólica não são necessariamente a mesma coisa, e medicamentos usados para gases não devem ser oferecidos ao bebê por conta própria. Antes de utilizar qualquer medicamento, converse com o pediatra.
Quando procurar o pediatra?
Embora episódios de cólica sejam comuns nos primeiros meses, nem todo choro intenso deve ser atribuído à cólica.
Procure orientação médica se o bebê apresentar:
- febre, especialmente em um bebê com menos de 3 meses;
- vômitos repetidos, esverdeados ou com sangue;
- sangue nas fezes;
- barriga muito inchada ou endurecida;
- dificuldade ou recusa persistente para mamar;
- sonolência excessiva, pouca reação ou comportamento muito diferente do habitual;
- dificuldade para respirar;
- choro muito diferente do habitual ou que não melhora e causa preocupação.
E mesmo que nenhum desses sinais esteja presente, se você sentir que há algo diferente com seu bebê ou estiver insegura com o choro, converse com o pediatra.
Essa fase tende a melhorar
Para muitas famílias, as cólicas são mais intensas nas primeiras semanas e tendem a diminuir conforme o bebê cresce, geralmente melhorando ao longo dos primeiros meses de vida.
Enquanto essa fase não passa, tente dividir os cuidados quando for possível. Se o choro estiver deixando você muito cansada ou sobrecarregada, coloque o bebê em um local seguro por alguns minutos e peça ajuda a alguém de confiança.
E lembre-se: você não precisa descobrir sozinha a causa de cada choro. Quando algo parecer diferente ou gerar preocupação, o pediatra é a pessoa indicada para avaliar o bebê.
Como têm sido esses momentos por aí? Conte nos comentários o que costuma ajudar seu bebê a ficar mais tranquilo.



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